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De todas as coisas que acontecem no decorrer da vida é certo como a morte que nunca somos os mesmos do minuto anterior, quem dirá da semana, do mês ou ano passado. Todo acontecimento, por menor que seja, por menos importante que pareça, nos muda sem a devida permissão. Alguns momentos são melhores que outros e nos fazem maiores, outros nos deixam tão pequenos diante da imensidão do mundo e temos a certeza que seremos esmagados por todos esses pés gigantes que correm constantemente de um lado ao outro. Às vezes somos mesmo. Perdemos a respiração, nos ferimos e levamos as cicatrizes. Então esses dias te vi passar da janela lá de casa e me perguntei quão profundas eram suas marcas. Menores que as minhas provavelmente. Talvez meros arranhões. É um tanto estúpido de minha parte que eu tenha dado espaço para sua presença me mudar tanto durante todo esse tempo. É loucura minha, mas ainda guardo cada marca e de vez em quando ainda me vejo como um grãozinho na multidão. Sua simples existência me mudou de tal forma que acredito ninguém mais poderá modificar essa passagem.
Provavelmente nem imagina quantas e quantas vezes parei em frente a uma folha em branco tentando preenchê-la de forma a te explicar a diferença de quem eu era no início de tudo e de quem sou hoje. Sobram sentimentos, mas me faltam palavras.

Jéssica de Paula

Ausência

by on 19:21
De todas as coisas que acontecem no decorrer da vida é certo como a morte que nunca somos os mesmos do minuto anterior, quem dirá d...

Tinha uma folha de papel em branco na qual rabisquei várias e várias vezes tentando te escrever e contar como tem sido, mas a folha se encheu de rabiscos avulsos e palavras soltas. Não fazia sentido nada do que escrevia, talvez porque nem eu mesma esteja conseguindo entender como tem sido, porque basicamente tem sido uma loucura e é sempre você que coloca tudo em lugar, entende? Você acomoda tudo dentro de mim e parece que sua simples presença me torna mais capaz de segurar tanta carga mesmo que eu não seja capaz de te explicar o motivo de tanta desordem aqui dentro. Mas você tem esse dom de me acolher mesmo que nem sempre entenda o que tento dizer. Desculpe por todas as palavras vagas que te jogo apenas esperando sua compreensão num abraço, deve ser tudo tão sem nexo na sua cabeça porque na minha própria mente é tamanha confusão. Tantas palavras, mas nenhuma frase, nenhuma poesia em nada.
Tentei usar aquela folha, mas era mais fácil na tela porque quando apago ninguém percebe as baboseiras anteriores que eram piores que estas atuais. Na folha é tão mais visível minha desorientação e até risível.
Tenho andado em círculos. Na vida e nas palavras. Escrevo tanto e deve ter percebido que não digo nada porque, sinceramente, queria poder te dizer alguma coisa mesmo de longe, mas é muito mais fácil dizer como me sinto só ao te olhar daquele jeito de quando preciso dos seus cuidados que se resumem em um abraço, um beijo e alguma frase qualquer que me faz sentir em casa.
Tentei escrever sobre como andam as coisas, sobre como me sinto com relação à vida e como me faz falta, mas acho que não me fiz muito clara. A verdade é que sobram os sentimentos e me faltam as palavras.

Música recomendada: Fix you

O que eu não sei dizer...

by on 02:03
Tinha uma folha de papel em branco na qual rabisquei várias e várias vezes tentando te escrever e contar como tem sido, mas a folha se ...
Outra noite eu estava procurando alguma série interessante para assistir e, bem por acaso, encontrei essa (Des)encontros que está mais para uma "mini-série", pois tem apenas cinco capítulos que contam a história de cinco casais, ou seja, uma história por episódio. A série brasileira estreou no dia 17 de maio do ano passado (2014) na Sony, se originou de um curta metragem que foi apresentado como o episódio piloto. Como eu fui descobrir isso tudo essa semana, imagino que existam mais pessoas perdidas como eu por aí então vou falar um pouco sobre a série hoje.
Esses cinco casais não têm nenhuma relação um com o outro, cada episódio é totalmente diferente do anterior. Por conta disso vou contar bem pouco para não dar spoilers já que são episódios muito curtos, cerca de meia hora apenas.

Gael (Paulo Vilhena) e Lara (Thaila Ayala) são perfeitos um para o outro, o problema é que os dois não se conhecem apesar de terem se cruzado diversas vezes durante a vida.
Pra mim, o primeiro episódio foi o melhor por ser o mais fofinho. Aliás foi esse curta metragem que deu início à série.








Arthur e Diana são amigos desde sempre, inclusive estão sempre ajudando um ao outro, ela tem um cachorro e ele um filho adolescente, mas não há bem uma divisão porque assumem a responsabilidade um do outro assim como um bom casal, porém não têm coragem de assumir seus sentimentos.









André é um tremendo mulherengo que encontrou na culinária uma forma de conquista. Ele tem um esquema bem elaborado para a conquista perfeita, inclusive um sequência de pratos irresistíveis para encantar as mulheres que leva até sua casa, mas um dia conhece Júlia, uma médica que resiste aos seus encantos e seus fabulosos pratos.







Luís e Patrícia são casados há sete anos, os dois são jornalista no mesmo Jornal televisivo, porém enquanto ela trabalha apenas em pequenas matérias na rua, ele está a frente na apresentação. As rusgas profissionais entre os dois acabam atrapalhando a vida particular.





Godo conhece a bela e esportista Elisa na praia e se encanta por ela a primeira vista. Como neste encontro ele está em um carrão decide mentir que é um milionário para tentar conquistá-la, mas na verdade é apenas um manobrista gordinho e nada fã de exercícios físicos.

(Des)encontros

by on 15:29
Outra noite eu estava procurando alguma série interessante para assistir e, bem por acaso, encontrei essa (Des)encontros que está mais para ...

Quando amanhece é só teu cheiro que permanece aqui, mas tua presença evapora em poucos minutos. Enquanto os malditos ponteiros correm, te vejo pegar suas coisas e sair pela porta deixando-me aqui, pronta para mais um dia vazio seguido por uma noite solitária. Sei que talvez esteja pedindo demais, mas preciso que fique e segure minha mão até eu ganhar coragem de enfrentar esses dias tão confusos. Ei, meu bem, vamos com mais calma, não precisa correr a menos que tenha medo disso aqui... Sabe?! Essa coisa toda que acontece entre nós, a qual nunca nomeamos como se este ato fosse a confirmação do que somos. Mas, qual o problema? Talvez não tenhamos tomado o rumo devido e planejado desde o começo, mas, se quer saber, não acho que esse outro caminho tenha sido ruim. Sinto-me bem ao seu lado, o riso flui mais fácil e o silêncio é mais confortável em sua companhia que na solidão. O céu lá fora é mais azul e, quando chove, não tenho medo dos raios.
Não tem porque ter pressa ou medo. É só ficar um pouco mais que tudo se resolve sozinho.
Não precisa correr quando a manhã chegar, podemos abrir a cortina e observar as nuvens passando no céu até a fome nos obrigar a levantar para o café.
Se ficar mais uma hora podemos conversar sobre qualquer assunto evitando pensar no relógio. Pode me contar sobre aquele livro que está lendo atualmente, pois adoro te ouvir falar dos seus livros sobre filosofia e teatro mesmo quando não conheço metade daqueles nomes que parecem tão importantes, mas tudo bem porque depois, provavelmente, encherei seus ouvidos sobre meus estudos da psicanálise e sobre como estou empolgada em aprender mais sobre o tal Bronfenbrenner. Se quiser, podemos só falar de inutilidades aleatórias e ver aquela série de terror ou um filme qualquer. Tem aquele bolo de caneca muito fácil ou brigadeiro de panela. Podemos andar em alguma praça ou naquele bosque.
Quando vai sinto sua falta e anseio sua volta, então vamos adiar só mais um pouco, só mais alguns minutos... Depois prometo resignar-me e aceitar apenas finalizar esse encontro com um "tchau, até logo".

Jéssica de Paula

Fica um pouco mais

by on 11:07
Quando amanhece é só teu cheiro que permanece aqui, mas tua presença evapora em poucos minutos. Enquanto os malditos ponteiros correm, ...

Criamos o costume de acreditar que possuímos as pessoas, que estas não são passageiras e têm a obrigação de permanecerem em nossas vidas independente de nossos erros e demoramos para perceber como estamos enganados.
Relações são escolhas, não contratos e para conquistarmos o querer do outro é preciso se dedicar dia a dia, seja com o(a) namorado(a), o(a) amigo(a) e até mesmo familiares. Sim, mesmo os familiares estão ali por querer, por amar, não por obrigação, e quando o é já não é uma relação, aí sim se torna um contrato entre parentes. É como um pai distante que só aparece para fazer seu papel diante da sociedade, mas quando se vai a suposta relação "pai-filho" deixa de existir. Não é amor, é obrigação perante a sociedade. Amor mesmo é aquele em que se está perto por querer de verdade, por aceitar os defeitos, mas não concordas com os erros. Amor se conquista todos os dias, no pedido de desculpas, no arrependimento, no agrado sem motivo, no abraço aleatório, só por vontade.
Relações são atos de carinho, não poder. Não nos possuímos e não somos insubstituíveis, portanto não pense que pode tratar as pessoas a sua volta como queira porque nunca irão embora, eles irão sim, seja física ou sentimentalmente. As pessoas se vão quando não são amadas. Pai, mãe, marido, esposa, são apenas palavras até que se dê um significado único na vida de cada um. Não é o contrato de sangue ou perante a lei que prenderá o outro a você, mas sim suas ações diárias, seu modo de demonstrar que ama e se preocupa, para o outro querer estar perto é preciso também o seu querer, pois ninguém quer estar em um lugar (neste caso a relação) em que também não é desejado.
Quando nos interessamos por alguém fazemos de tudo para conquistá-lo, quando conseguimos esquecemos que a relação é uma eterna conquista.
Precisamos urgentemente nos desfazer dessa tola ilusão de que pertencemos o outro e passar a valorizar sua presença a cada dia.
Objetos pertencem, pessoas precisam ser amadas para escolher ficar.

Jéssica de Paula

"Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja." - Paulo Roberto Gaefke

Não possuímos as pessoas

by on 11:28
Criamos o costume de acreditar que possuímos as pessoas, que estas não são passageiras e têm a obrigação de permanecerem em nossas vidas ...