segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Um pouco sobre a solidão


Ela tem fugido e ignorado. A realidade é colocada embaixo do seu belo tapete naquela linda sala de estar na qual nunca recebe ninguém porque está sempre ocupada demais para reparar em todas estas pessoas que, para ela, não passam de sombras. Não percebe que a sombra é ela. Ninguém a percebe, sua falta não é sentida, sua presença é indiferente porque o mundo apenas devolve toda essa indiferença. Como se o passado fosse mudar, ela fecha os olhos na esperança de voltar para uma realidade em que tudo não passara de um pesadelo. Mas eles se foram, ele se foi e não é capaz de mudar os fatos.
Tivera tanto medo da solidão que agora se isola porque esta é sua única proteção, antes isso que passar por todo aquele sofrimento novamente, não é mesmo?
Então ela acorda sozinha, toma seu café e, ao sair de casa, observa o nada na parede que costumava ter tantas fotos em porta retratos exagerados e coloridos. Vai para o trabalho e faz suas obrigações visando um lugar melhor onde não tem real significado para qualquer uma das pessoas a volta. No almoço, sozinha. À noite pede uma pizza e vê aquele programa chato que seus antigos amigos a obrigavam a ver, pois era a única em desacordo. Agora o cachorro não fica atrapalhando, querendo pular no sofá e roubar a comida, talvez seja vantagem não tê-lo mais.
Antes de dormir se pergunta onde estarão, será que se lembram de tudo aquilo? Daquela antiga vidinha em que nada podia incomodá-los? Será que ele ainda se lembra? Será que ainda sente aquele mesmo amor ou simplesmente esqueceu? Não importa.
A vida muda, as pessoas mudam e se vão. Todos estão sempre indo.
A partida é inevitável.
Ela escolheu evitar a chegada.
Escolheu a solidão.
Escolheu ser apenas um fantasma.
Ela é apenas uma sombra do que já foi um dia.

Jéssica de Paula

2 comentários:

  1. Oi, moça. Preciso dizer que me descreveu? Pois, sim!

    "Não percebe que a sombra é ela. Ninguém a percebe, sua falta não é sentida, sua presença é indiferente porque o mundo apenas devolve toda essa indiferença".

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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