domingo, 7 de julho de 2013

Estão Todos Bem.


Estou acordada a cerca de uma hora, talvez mais. O relógio marca cinco e vinte e três da manhã agora, essa é a primeira vez que tenho coragem de desviar meus olhos dele. É como se pudesse evaporar diante de mim a qualquer segundo.
Tive um sonho estranho, ou melhor, tive um pesadelo terrível. Todos e tudo de bom que tenho em minha vida tinham sumido.  Inclusive ele.
Nesse pesadelo meus pais já não estavam naquela casa na qual cresci então, assim que acordei e verifiquei que ele ainda estava aqui, procurei pelo celular embaixo do travesseiro. Sem desviar meus olhos dele disquei para minha mãe, ela atendeu depois do que pareceu uma eternidade com a voz sonolenta. Perguntei onde estava meu pai e, irritada, me informou que ele estava ao seu lado dormindo, coisa que eu também deveria estar fazendo e deveria deixa-la fazer. Desliguei o telefone não mais calma que antes.
 Ainda sinto que tudo pode desaparecer num piscar de olhos. Mas, ao que parece, o mundo ainda segue seu rumo normalmente.
Lá fora só ouço o latido de alguns cachorros ao longe. É cedo, todos ainda dormem.
Não consigo fechar os olhos novamente, porém tenho medo de levantar e deixa-lo sumir. Toco sua face para ter certeza que é real. Beijo seus lábios e finalmente tenho coragem de levantar.
Na sala verifico se Max está em sua cama, ao me ver ele solta seu osso de brinquedo e corre em minha direção para me desejar um bom dia. No pesadelo ele também sumira. Levanto-o e olho para seus olhos de pidão para ver se está bem. Sento no sofá com Max em meu colo.
- Você nunca me abandonaria né campeão? – pergunto acariciando suas orelhas.
Em resposta Max se arruma no sofá e deita a cabeça em meu colo esperando por mais carinho.
Vejo que, como sempre, o telefone está jogado no sofá – nunca nos lembramos de coloca-lo no lugar – começo a fazer uma lista mentalmente de todas as pessoas que amo e não encontrei no meu pesadelo. Ligo para cada uma. Acordo todos os meus amigos deixando-os irritados pela ligação tão cedo em pleno domingo. Não me importo de chateá-los desde que possa ter certeza que estão bem em suas casas ou qualquer outro lugar que tenham passado a noite.
Ligo a TV e deixo num canal qualquer, nem ao menos estou prestando atenção nas imagens da tela.
Aos poucos o sol começa a nascer e entrar pela janela.  A cidade começa a despertar e ouço os sons das vozes, dos carros, buzinas, cachorros, risada e choro de crianças. Tudo normal como um domingo qualquer.
Um barulho vindo da cozinha me desperta de meus pensamentos.
Deixo Max em sua cama e caminho até o outro cômodo. Ele está de costas preparando o café. Não denuncio minha presença, apenas fico observando seus passos pela cozinha. Ao se virar e finalmente me ver ele sorri. Aquele sorriso perfeito que é a causa do meu sorriso.
- Acordou bem cedo para um domingo. – comenta vindo em minha direção e dando-me um beijo – Bom dia.
Não respondo, apenas continuo a sorrir.
Sento na cadeira em frente ao balcão e continuo a observa-lo. Aos poucos meu medo diminui. Ele ainda está aqui, bem na minha frente. Não sumiu como num passe de mágica, não evaporou e não há sinais de que tão cedo vai embora da minha vida.
Estão todos bem, portanto eu estou bem.

Estão todos aqui, no meu mundo.

Texto por Jéssica de Paula

Estava ouvindo:

Um comentário:

Espero que tenha gostado do post e sinta-se à vontade para dar sua opinião aqui e voltar sempre que quiser. Pode também deixar o link do blog para que eu e outros leitores possamos conhecer um pouco de você.
Muito obrigada pela visita <3