quarta-feira, 1 de outubro de 2014

No primeiro silêncio desta manhã.


É o primeiro dia, meu primeiro silêncio de você. Poderíamos ter sido mais, mas tanto faz. Já se foi a oportunidade, passou a promessa de nós, você se foi enquanto eu fiquei. Então desço as escadas nesse primeiro dia, observo o vazio desta casa, o telefone toca, mas não me importa quem é do outro lado se não for você e sei que não é.
É hora de tirar suas fotos das paredes, mas e minhas paredes? Elas desabam, mas você não, sua imagem permanece nas minhas paredes quebradas. Então é isso, é só mais um dia, o primeiro sem você e esses papéis com sua imagem longe da realidade não importam mais. Esses sorrisos espalhados não passam de uma mentira vendo daqui nesse momento.
Tanto faz o motivo, você foi e é isso que fica em mim e não suas desculpas.
Esqueçamos o que passou, mas já o fizeste, certo? Antes mesmo de partir fisicamente já me deixara.
Só agradeço a honestidade, agradeço sua eterna sinceridade. Dou graças pela ausência de mentiras, nada mais que a verdade, já não podia levar isso adiante e a mim cabe apenas aceitar.
Sigamos sem culpas, sem ressentimentos, ou siga porque não sei o que mais fazer além de permanecer no seu silêncio. No meu silêncio.
Agora, enquanto se afasta, não consigo ter certeza se é o mesmo rosto, se você é o mesmo daquele primeiro dia naquela mesa de bar rodeado de amigos. Ei, aquela ao seu lado, não era uma amiga qualquer, não é? Percebo que nunca mais a vi, por que será? Desde quando tem esse costume, rapaz? Se foi pelo mesmo motivo, não foi? Eu me tornei uma provável amiga, nada demais, para alguma outra? Tudo bem, sem cobranças, era o combinado. Agora entendo melhor, estou vendo de outro ângulo o que passou.
Ei, meu querido, boa sorte. Não tenho mais o que dizer apesar de nem ao menos me sentir assim. Não te desejo nada porque nesse momento nem ao menos sei o que desejo para você, pois tudo que tenho feito nesse tempo foi desejar você, nunca pensei realmente em você. Que egoísmo meu. Mas tanto faz agora.
Sinto... que não sei.
Não sei como me sinto em meio a este silêncio.
Não sei como me sinto.
Que confusão me causou.
Tudo bem, assim como não pedi para que ficasse não pretendo te pedir para voltar. Assim é melhor, mesmo que nesse minuto não me pareça.


Jéssica de Paula

Um comentário:

  1. Ai, Jessi, cada vez mais encantada com seus textos! <3

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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