quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Naquela noite.


Em uma certa noite cheguei em casa depois do trabalho e não te encontrei lá, como mandava nossa rotina. Naquela noite liguei para seu celular, mas você não atendeu, apenas deixou cair na caixa postal. Aguardei um pouco, talvez fosse um engano e logo retornaria a ligação ou então para casa. Vesti meu pijama e fiquei em frente a tv assistindo aquele programa idiota que você me fazia assistir toda noite, olhei o celular pensando que talvez não tivesse ouvido tocar, mas não tinha chamada perdida e apenas uma mensagem da operadora.
Os ponteiros do relógio corriam até que desisti de te esperar.
Coloquei minha melhor roupa, aquele vestido que há muito não usava, pois faltava oportunidade e local adequado. Coloquei meus saltas mais altos não me importando se depois tiraria na pista de dança. Coloquei aquele batom vermelho sangue que ganhei no último aniversário e nunca cheguei a usar.
Naquela noite voltei naquele bar no qual te conheci, mas só quando cheguei lembrei que aquele foi o bar em que te conheci, desviei o caminho. Era uma daquelas ruas cheias de opções, lotadas de gente com uma garrada na mão e um cigarro na boca, quase ninguém sozinho como eu. Na fila de uma balada qualquer me enturmei num grupo qualquer que se mostrava bem receptivo à estranhos.
Lá dentro era tudo o que você sempre detestou e isso era bom para mim.
Tinham todas aquelas luzes coloridas que dizia te deixar tonto quando na verdade você sempre fora um tonto, meu querido. Também tinha aquele som tão alto que mal podia-se ouvir os próprios pensamentos. E pessoas, santo Deus, como tinham pessoas, se andava a passos pequenos porque volta e meia esbarrava em alguém. Você odeia pessoas e tumulto então eu me sentia bem ali porque sabia que não te encontraria.
Mas o melhor de tudo era o bar: tantas opções de drinks e aqueles barmans dos quais você teria um surto psicótico de ciúmes e com razão, eles eram lindos. Mas não pense que beijei um deles por questão de aparência, de modo algum. Era só um modo de esquecer sua babaquice porque em beleza, meu bem, você bem podia estar de igual para igual.
Aquela noite foi extremamente agitada.
Bebidas, pista de dança, barman, ouvir minha melhor amiga para sempre, que conhecia há meia hora, chorar as mágoas no meu ombro e cantar parabéns para o desconhecido da mesa ao lado que descobri se chamar Miguel e estava completando apenas dezoito anos. Um garoto ainda. Te conheci quando tínhamos dezoito anos e fazia apenas um ano. Ingenuidade nossa. Cabeças de vento.
Aquela noite começou a amanhecer, pediram que eu e as pessoas que estavam comigo, sentados no chão da pista de dança, nos retirássemos do local porque já era manhã e iriam fechar.
Liguei para casa e ninguém atendeu, você realmente partira.
Entramos todos num táxi e fui parar na casa daquela minha melhor amiga para sempre que já conhecia há sete horas e meia e descobri se chamar Beatriz, a Bia.
Foi uma noite longa aquela.
Os anos passaram rápido desde aquela estranha noite em que você se foi e eu apenas me deixei levar.

Jéssica de Paula


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