Eram 40 suspeitos. 40 diferentes pessoas com diferentes relatos. 40 vidas unidas por um trágico fato, mais que isso, unidas por uma mentira. Mentira esta contada de 40 formas diferentes. 39 inocentes, 1 culpado. Ou seriam mais? Não sabia dizer, mas era fato que existiam culpados e também cúmplices. Não tinha certeza se havia, naquele meio, um único inocente além da própria vítima.
Chamei um por um até minha sala, questionei a todos individualmente. Alguém seria dedo duro suficiente para entregar o culpado.
- Maria. - chamei pela última suspeita.
Estava naquilo há dias, o tempo era curto. Estava perto do dia para o qual a reunião fora marcada. Logo o culpado teria que se resolver com seu juiz, ou melhor, juíza.
Ao entrar Maria direcionou os olhos para a foto da vítima e, em seguida, para os próprios pés.
- Sente-se, Maria. - pedi delicadamente..
Seu olhar permanecia baixo então chamei por seu nome uma terceira vez. - Maria - Finalmente seus olhos cor de mel encontraram com os meus. - Sabe que não precisa ter medo de contar a verdade. Sempre foi uma boa garota, essa é uma grande oportunidade para me ajudar. - instiguei-a.
- Não quero ser dedo duro. - disse tristonha.
Por um segundo realmente senti pena de Maria. Apenas um segundo. Aquilo era necessário independente de pena.
- Lembra do dia em que ele chegou?! - a pergunta era retórica, não tinha como esquecer - Todos foram para fora, teve um piquenique e no fim da tarde tiraram esta foto. - mostro a foto com todos juntos. Os 40 cúmplices e a vítima, ainda no começo de sua vida, sem sequer imaginar seu fim. - Se contar a verdade pode ficar com a foto.
Ela leva alguns minutos para pensar na proposta. Seus olhos passeiam entre mim e a foto. Finalmente sua pequena mão timidamente atravessa a mesa em direção à foto levando-a para perto de si. Ao olhá-la de perto suspira e, quando menos espero, começa seu relato.
- Foi um acidente - justifica-se - Ninguém queria assustar o Heitor, mas quando o Júlio abriu a porta ele correu. - seu tom de som baixou - Quando tentei fechar a porta ele passou correndo por mim e foi em direção ao parquinho. Fomos atrás, mas estava cheio e o perdemos de vista. Nos separamos em grupos e procuramos por Heitor em vários lugares. Eu, o Paulo e a Cíntia estávamos na lanchonete quase desistindo quando ouvimos um grito vindo de dentro do prédio. Fomos para lá e, quando chegamos no corredor, ouvimos outro grito. Esse último era da Joana. Encontramos quase todo mundo no armário de produtos de limpeza, a tia Rita estava com uma vassoura na mão e o Heitor morto no chão. - Maria deu uma pausa relembrando os demais fatos. - Ela pediu desculpa, mas ficamos com medo que você ficasse brava por abrirmos a gaiola e termos perdido o hamster então o Pedro pegou o corpo dele e levamos de volta para a gaiola. Quando chegou fingimos que não tínhamos visto o Heitor morto.
Após o relato só posso dizer que fiquei aliviada por não ter um assassino de animais na minha turma da 5ª série. Fiquei chateada por esconderem o ocorrido, mas ainda não era tão ruim quanto saber que um deles matara Heitor e não precisaria delatar ninguém na reunião de pais e mestres.
- Obrigada, Maria. - agradeço finalizando o interrogatório.
- O Heitor foi o melhor mascote que tivemos. - afirma aliviada e se retira deixando-me novamente sozinha.

texto por Jéssica de Paula

Suspeitos

by on 22:58
Eram 40 suspeitos. 40 diferentes pessoas com diferentes relatos. 40 vidas unidas por um trágico fato, mais que isso, unidas por uma menti...

Estou acordada a cerca de uma hora, talvez mais. O relógio marca cinco e vinte e três da manhã agora, essa é a primeira vez que tenho coragem de desviar meus olhos dele. É como se pudesse evaporar diante de mim a qualquer segundo.
Tive um sonho estranho, ou melhor, tive um pesadelo terrível. Todos e tudo de bom que tenho em minha vida tinham sumido.  Inclusive ele.
Nesse pesadelo meus pais já não estavam naquela casa na qual cresci então, assim que acordei e verifiquei que ele ainda estava aqui, procurei pelo celular embaixo do travesseiro. Sem desviar meus olhos dele disquei para minha mãe, ela atendeu depois do que pareceu uma eternidade com a voz sonolenta. Perguntei onde estava meu pai e, irritada, me informou que ele estava ao seu lado dormindo, coisa que eu também deveria estar fazendo e deveria deixa-la fazer. Desliguei o telefone não mais calma que antes.
 Ainda sinto que tudo pode desaparecer num piscar de olhos. Mas, ao que parece, o mundo ainda segue seu rumo normalmente.
Lá fora só ouço o latido de alguns cachorros ao longe. É cedo, todos ainda dormem.
Não consigo fechar os olhos novamente, porém tenho medo de levantar e deixa-lo sumir. Toco sua face para ter certeza que é real. Beijo seus lábios e finalmente tenho coragem de levantar.
Na sala verifico se Max está em sua cama, ao me ver ele solta seu osso de brinquedo e corre em minha direção para me desejar um bom dia. No pesadelo ele também sumira. Levanto-o e olho para seus olhos de pidão para ver se está bem. Sento no sofá com Max em meu colo.
- Você nunca me abandonaria né campeão? – pergunto acariciando suas orelhas.
Em resposta Max se arruma no sofá e deita a cabeça em meu colo esperando por mais carinho.
Vejo que, como sempre, o telefone está jogado no sofá – nunca nos lembramos de coloca-lo no lugar – começo a fazer uma lista mentalmente de todas as pessoas que amo e não encontrei no meu pesadelo. Ligo para cada uma. Acordo todos os meus amigos deixando-os irritados pela ligação tão cedo em pleno domingo. Não me importo de chateá-los desde que possa ter certeza que estão bem em suas casas ou qualquer outro lugar que tenham passado a noite.
Ligo a TV e deixo num canal qualquer, nem ao menos estou prestando atenção nas imagens da tela.
Aos poucos o sol começa a nascer e entrar pela janela.  A cidade começa a despertar e ouço os sons das vozes, dos carros, buzinas, cachorros, risada e choro de crianças. Tudo normal como um domingo qualquer.
Um barulho vindo da cozinha me desperta de meus pensamentos.
Deixo Max em sua cama e caminho até o outro cômodo. Ele está de costas preparando o café. Não denuncio minha presença, apenas fico observando seus passos pela cozinha. Ao se virar e finalmente me ver ele sorri. Aquele sorriso perfeito que é a causa do meu sorriso.
- Acordou bem cedo para um domingo. – comenta vindo em minha direção e dando-me um beijo – Bom dia.
Não respondo, apenas continuo a sorrir.
Sento na cadeira em frente ao balcão e continuo a observa-lo. Aos poucos meu medo diminui. Ele ainda está aqui, bem na minha frente. Não sumiu como num passe de mágica, não evaporou e não há sinais de que tão cedo vai embora da minha vida.
Estão todos bem, portanto eu estou bem.

Estão todos aqui, no meu mundo.

Texto por Jéssica de Paula

Estava ouvindo:

Estão Todos Bem.

by on 14:34
Estou acordada a cerca de uma hora, talvez mais. O relógio marca cinco e vinte e três da manhã agora, essa é a primeira vez que tenho c...

Entro no cômodo escuro, a encontro no chão frio abraçada a sua boneca de pano preferida, aquela que ganhara ao nascer de seu pai. Seu pai. Aquele que se fora há anos, saiu pela porta sem olhar para trás, sem olhar o estrago. Princesa é o nome da boneca, pois lera uma vez em um livro - que não lembra onde deixara - que toda menina é digna de ser uma princesa, inclusive ela, mas sua mãe não concordava. "Você não é uma princesa, menina. Acorda pra vida" repetia sua mãe diariamente. Ela finalmente acreditara não ser digna de ser uma princesa. Quanta mentira para uma só criança. Minha pequena princesa acreditara em tantas mentiras. Mentiras tais que a colocaram nesse chão.
Não há lágrimas em seus olhos, ela está distante, presente só de corpo. Pobre princesa desacreditada de si. Deito-me ao seu lado. Olho em seus lindos olhos verdes já tão apagados procurando por alguma verdade em meio a tanta mentira, alguma razão para sorrir em meio a tanta tristeza.
Minha pobre princesa que já não sonha acordada e afugenta seus sonhos da noite logo ao acordar pela manhã. Tão nova, tão linda, tão tristonha, tão sem rumo... Pobre garotinha sem contos de fadas antes de dormir. Lhe faltam os elfos, as ninfas, bruxas, duendes... Lhe falta a fada madrinha. Era uma vez uma pequena princesa que desconhecia sua coroa. Pobre princesa desinformada.
- Sonhas acordada? - pergunto afagando sua cabeça.
- Já não sei sonhar. É para tolos. - responde com o olhar vago.
- Não. - digo firmemente tentando não parecer irritada por tal absurdo dito - Tolo é aquele que não acredita em sonhos e desacredita os sonhos de pequenas princesas como você. Tolo é aquele que te tornou uma pobre princesa, vazia de sonhos e esperanças.
- O que é esperança? - pergunta curiosa.
- É sempre crer.
- No que?
- Em si, na vida, no futuro... Nos sonhos.
Ela olha-me por um longo tempo. Será que pensa no que digo ou já voltou para seu esconderijo?
Ouço passos no corredor. Nós duas olhamos para a porta. A luz lá fora se acende e mais passos se aproximam do quarto em que estamos. Ouço a voz de um homem e de uma criança, mas não entendo o que falam.
- Você crê? - ela pergunta olhando novamente para mim - Crê em si?
Afago sua cabeça novamente e, em seguida, seguro sua boneca de pano trazendo-a para perto de mim. Ela não titubeia ao ter seu xodó retirado de seus braços. Abraço Princesa e olho para a menina que ainda espera uma resposta.
A porta se abre e vejo pezinhos gorduchos entrarem.
A figura da menina a minha frente evapora-se. Ela se foi. A pobre princesa partiu novamente e não sei quando voltará, sinto sua falta, mas não quero olhar novamente em seus tristes olhos verdes.
- Mamãe? - ouço a dona dos pezinhos chamar.
- Diga Sara. - respondo.
- Posso deitar com você? - ela diz em sua voz de criança.
- Claro, mas pegue a coberta. O chão está frio. - falo com doçura.
Sara carrega a coberta de cima da cama para o chão. Entrego-lhe a boneca de pano e enrolo a nós duas deitando-a em meu colo.
- Por que ta deitada no chão, mamãe? - minha filha pergunta me olhando curiosa.
- Velhos hábitos, pequena.
Observo meu reflexo em seus olhos verdes iguais aos meus.
Meus olhos nunca mais se entristeceram ao olhar os seus pela primeira vez.
Apesar de me visitar às vezes a pobre princesa se fora de vez.
Era uma vez uma pobre princesa...

texto por Jéssica de Paula

Às vezes nos entregamos tanto, amamos demais, perdoamos em excesso, fechamos os olhos para as mentiras e, diante dos erros, nos perguntamos "o que fiz de errado?"... Esse é o maior erro do ser humano quando está cego por um sentimento, acreditar que a culpa é sua, que as atitudes da pessoa amada não passam de um castigo por você não ser bom o suficiente. Mas um dia você cresce, um dia você cansa de se perguntar porque aquele alguém parece ser a pessoa mais apaixonada do mundo quando estão a sós, mas te  trata como um nada diante dos outros, um dia você se dá conta que não obrigado a suportar grosserias porque ela não está em um bom dia e percebe que não faz sentido se permitir ser um depósito de frustrações alheias. Tem uma hora que é extremamente frustrante se dar conta que seu humor já não é mais seu e sim do outro e não importa quão bom esteja seu dia, ele não é nada diante do estado de humor do outro, mesmo que esse outro não ligue a mínima se você não está bem, pois está exultante demais para dar atenção ao seu mau humor.
Um dia você olha em volta e se dá conta que o mundo, o seu mundo, é muito mais que alguém que age como se você fosse sua propriedade e nunca fosse sair da estante em que foi colocado juntamente com os outros brinquedos, e é nesse dia você passa a descobrir que existe alguém muito mais importante que merece muito mais seu amor: VOCÊ. Isso se chama amor próprio.
Amor próprio aquilo que te faz seguir em frente sem olhar para trás depois do fim, amor próprio é quando, ao invés de perder noites de sono chorando no seu travesseiro, você passa noites acordado com os amigos num barzinho qualquer, na pista ou simplesmente na sala de casa fazendo bagunça até madrugar. Amor próprio é quando você entende que não precisa que alguém te diga o quanto é importante, pois você é capaz de ver isso nos olhos de todos os seus amigos - aqueles verdadeiros -, e não precisa de alguém dizendo que te ama, pois palavras nem sempre representam a realidade e atos são muito mais sinceros mesmo quando tais atos envolvem tapas e "socos" entre você e aquele seu amigo irritante. Amor próprio é quando você não precisa ouvir mentiras para sentir que é essencial na vida de alguém que pouco se importa com a tua presença, pois se sente a pessoa mais sortuda do mundo quando sua irmã mais nova te recebe em casa depois de um dia de trabalho como se estivesse fora há dias. Amor próprio é quando sabe dar valor às pessoas que te amam e não te culpam pelos próprios erros. Amor próprio é quando está de bem consigo mesmo e aprende a não guardar mágoas, pois entende que, às vezes, é preciso se ferir para aprender lições importantes - como se amar, por exemplo.
E, principalmente, amor próprio é se colocar em primeiro lugar e saber a hora de dizer adeus e seguir adiante sem se culpar.

Texto por Jéssica de Paula

Amor Próprio é...

by on 21:53
Às vezes nos entregamos tanto, amamos demais, perdoamos em excesso, fechamos os olhos para as mentiras e, diante dos erros, nos perguntam...
Sabe aquela música que te faz erguer a cabeça, secar os olhos e continuar em frente? Aquela letra que te faz ter confiança em si e de repente você pensa "Sim, eu posso, eu consigo e não vou desistir."? Separei algumas que ouço quando as coisas não vão bem, que às vezes me fazem chorar lembrando das coisas ruins, mas que me fazem refletir em cima de tudo o que passei e me dão ânimo pra sonhar e, em seguida, levantar para correr atrás desses sonhos.

Charlie Chaplin - Smile


McFly - Not Alone


Boyce Avenue - Mean (Taylor Swift Cover)


Demi Lovato - Skyscraper


Jessie J - Who You Are


Hilary Duff - Someone's watching over me



Top: Sim, eu posso!

by on 00:17
Sabe aquela música que te faz erguer a cabeça, secar os olhos e continuar em frente? Aquela letra que te faz ter confiança em si e de repent...


Existe uma saudade inexplicável dentro de mim. Uma saudade de algo que nunca tive. Saudade de alguém dentro de mim, alguém que nunca fui, mas poderia ter sido. É estranho. Algo morre aqui dentro sem nem ao menos ter nascido. Talvez eu apenas não veja, talvez seja só um sentimento. Talvez. Talvez. Quem pode dizer? Quem pode saber? É difícil... Não, impossível segurar o que não se pode ver. Então o deixei partir e agora sinto sua falta. É aquela vontade de chorar, aquela dor. Como não deixar morrer o que não se conhece?! Eu o deixei perecer e agora sinto sua falta. Sinto falta. Só não sei dizer do que. Ou será quem? É possível? Sentir falta sem se ter um objeto de saudade? Acho que não. Com certeza não é possível. Mas eu sinto essa falta, essa tremenda saudade do que quer que seja. Ah, que saudade do que não chegou e tão cedo se foi.

Jessi de Paula

Ah, que saudade!

by on 20:38
Existe uma saudade inexplicável dentro de mim. Uma saudade de algo que nunca tive. Saudade de alguém dentro de mim, alguém que nunca f...


Já passava das oito da manhã quando Rony chegou á Toca, passara a noite inteira bebendo como nunca. Subiu as escadas e foi direto para o banheiro, ligou o chuveiro e se colocou debaixo da água fria sem nem tirar a roupa, encostou a cabeça na parede fechando os olhos. Por mais que tivesse bebido não teve o efeito que esperava, ainda não conseguia esquecer, pelo contrário, quanto mais tentava mais nítidas eram as lembranças de que agora ela era de outro, ou pelo menos seria dentro de algumas horas.

This Romeo is bleeding
Este Romeo está sangrando
But you can't see his blood
Mas você não pode ver seu sangue
It's nothing but some feelings
Isto não é nada além de alguns sentimentos
That this old dog kicked up
Que este velho sujeito abandonou

Ron ouviu passos em direção ao banheiro, devia ser Gina, mas não falou nada apenas continuou com os olhos fechados tentando sonhar com os momentos em que ela estava ao seu lado, com os momentos que poderiam viver num futuro inexistente
Gina abriu a porta

– Ron? O que está fazendo?
– Tomando banho
– De roupa?
Ron abriu os olhos e, sem olhar para a irmã, perguntou
– Vai ajuda – lá a se arrumar?
– Vou. E você? Vai ficar parado vendo a mulher que ama casar com outro?
Ron deu uma risada irônica
– Eu não vou ver. Não vou estar lá.
– Você é tão covarde
Ele ficou sério e a mirou
– Hermione fez a escolha dela
– Nem sempre a Mione está certa
Ron não falou mais nada enquanto Gina escovava os dentes
– Já deve estar sabendo que o casamento vai ser na Londres trouxa. Na igreja em que os pais dela se casaram
Gina saiu deixando o irmão encarando a parede à frente


It's been raining since you left me
Tem sido chuvoso desde que você me deixou
Now I'm drowning in the flood
Agora estou me afogando no dilúvio
You see I've always been a fighter
Você sabe que sempre fui um lutador
But without you I give up
Mas sem você eu desisto

Depois de mais de meia hora Ron decidiu tomar um banho de verdade e colocar uma roupa limpa e seca. Ficou perambulando pela casa pensando no que fazer, talvez Gina tivesse razão ele era um covarde, talvez devesse estar lutando pelo que queria, por quem amava, mas porque isso lhe parecia tão difícil? Não conseguia pensar muito bem, o silêncio parecia mais cômodo que o normal. A Toca estava vazia, atualmente somente ele, Gina e seus pais moravam ali e estavam todos se preparando para o casamento ou ajudando em algum último preparativo, mas a solidão que sentia não tinha nada a ver com isso, ia além daquelas paredes.

Now I can't sing a love song
Agora eu não posso cantar uma canção de amor
Like the way it's meant to be
Como deve ser cantada
Well I guess I'm not that good anymore
Bem, acho que não sou mais tão bom

– Já cheguei Mione – disse Gina entrando no quarto da amiga com uma caixa nas mãos – onde eu coloco a tiara?
– Em qualquer lugar
Hermione estava de roupão, sentada em frente a um espelho e cercada por uma equipe de cabeleireiros e maquiadores. Seu cabelo já estava quase pronto, apenas metade preso e com cachos bem formados. Gina colocou a caixa em cima da cama e a abriu
– É linda Mione, vai ficar perfeita
– Já chega disso – Hermione disse irritada para a mulher que não parava de passar pó no seu rosto
– Você tem que ficar calma seu rosto está muito vermelho – retrucou a mulher
– Eu estou calma não ta vendo?!
Depois que o cabeleireiro colocou a tiara em sua cabeça Hermione levantou
– Pronto, podem ir
– Mas ainda não acabamos – reclamou o homem
– Eu disse que está bom. Vão
– Mas
– Não se preocupem, vou pagar o combinado – falou antes que mais alguém reclamasse
Todos saíram, alguns com uma expressão bem mal humorada, deixando Gina e Hermione sozinhas
– Você não parece uma noiva muito feliz
– Por que não estaria? É meu casamento. Devia ser um dos dias mais felizes da minha vida
– Mas não é
Hermione a olhou carrancuda, mas ficou calada

But baby that's just me
Mas querida, sou apenas eu
And I will love you baby, always
E eu te amarei querida, sempre
And I'll be there forever and a day, always
E eu estarei lá para sempre e um dia, sempre

– Então você também vai?
Ron estava agora na casa de Harry, enlouqueceria ficando sozinho, mas logo percebeu que a casa de Harry também não o ajudaria muito. Parece que esquecera que além de seu amigo Harry também era amigo de Hermione e com certeza compareceria ao casamento
– É claro. Eu e a Gina seremos padrinhos, além do mais Mione é minha amiga. A culpa não é minha se vocês nunca conseguiram se entender, já basta as brigas da época de Hogwarts
Ron olhou para o chão se lembrando das brigas que tivera com a garota no colégio e Harry como sempre tinha que aturar por ser amigo dos dois.
– O que vai fazer? – perguntou Harry
– Não tem mais nada pra ser feito
– Tem certeza?

I'll be there till the stars don't shine
Eu estarei lá até as estrelas deixarem de brilhar
Till the heavens burst and the words don't rhyme
Até os céus explodirem e as palavras não rimarem
And I know when I die you'll be on my mind
E sei que quando eu morrer você estará em minha mente
And I'll love you, always
E eu te amarei, sempre

– Acho que ele não vem – avisou Gina quando Hermione olhou pela milésima vez pela janela
– Está falando de quem? – Hermione perguntou ainda olhando para a rua
– Preciso falar?
Hermione estava começando a se irritar. Por que Gina insistia tanto naquele assunto? Era tão difícil entender sua decisão? Nada do que dissesse a faria mudar de idéia. Sua escolha tinha sido feita e sua sorte lançada, aceitara se casar com Vítor e não voltaria atrás.

Now your pictures that you left behind
Agora suas fotos que você deixou para trás
Are just memories of a different life
São somente lembranças de uma vida diferente

– Quer que eu entre antes?
Harry e Ron estavam parados a frente da casa de Hermione, havia um grande movimento, pessoas entrando e saindo a cada cinco minutos.
– E se não der certo? – Ron perguntou inseguro
– Pelo menos você tentou
Eles ficaram por mais algum tempo em silêncio observando a movimentação até que Harry disse:
– Vou subir falar com a Gina, quando você achar que está pronto sobe, é a terceira porta do lado esquerdo
Harry entrou enquanto isso Ron se preparava pensando no que falaria para convencer Hermione a desistir de tal loucura

Some that made us laugh
Algumas que nos fizeram rir
Some that made us cry
Algumas que nos fizeram chorar
One that made you have to say good bye
Uma das que fez você ter que dizer adeus

– Você está linda Mione – Gina disse sorridente
Hermione já estava pronta, um decote bonito, mas discreto, justo até o quadril onde se ficava um armado não muito exagerado, simples, mas perfeito. Não usava véu e grinalda apenas uma tiara prateada com pequenas flores formadas por pedrinhas brilhantes de cores suaves. Mas nada disso a importava queria que acabasse logo para começar uma vida nova como tanto esperara.
Foi mais uma vez a janela quando, no mesmo minuto, Harry entrou
– O que ele está fazendo aqui? – Hermione perguntou
– O Harry? – indagou Gina
Hermione não respondeu, permaneceu estática olhando um ruivo parado na calçada em frente a sua casa

What I'd give to run my fingers through your hair
O que eu não daria para correr meus dedos por seu cabelo
To touch your lips to hold you near
Para tocar seus lábios, abraçá-la apertado
When you say your prayers try to understand
Quando você dizer suas preces, tente entender
I've made mistakes I'm just a man
Que eu cometi erros, eu sou apenas um homem

– Rony quer falar com você – falou Harry
– Pois eu não quero – Hermione se afastou da janela – o mande embora
– Não custa ouvir o que ele tem a dizer
– Não me importa
– Harry deixa que eu falo com ela
Harry afirmou com a cabeça e após dar um beijo rápido em Gina saiu
Hermione sentou-se na cadeira em frente a penteadeira e Gina sentou em uma cadeira ao lado
– Você está com medo – Hermione a encarou em duvida – de desistir desse casamento, de descobrir que ainda o ama... você tem medo de descobrir que ele ainda te ama...
Antes que Gina continuasse a porta do quarto se abriu novamente e dessa vez quem entrou foi Ron

When he holds you close
Quando ele abraçar você
When he pulls you near
Quando ele a puxar para perto
When he says the words
Quando ele disser as palavras que
You've been needing to hear
Você precisa ouvir

– Sai daqui – Hermione ordenou
– Tudo bem – disse Gina se levantando
– Você fica
Com medo de que as coisas pudessem piorar deixando os dois sozinhos Gina achou que realmente o melhor seria ficar e quem sabe até dar um “empurrãozinho”
Ron estava perto da cama e ele Hermione se encaravam pelo espelho
– É melhor se rápido. Vou precisar ir pra igreja daqui a pouco
– Então não vá
– É meu casamento, acho que não é de bom porte faltar a ele
– Eu não estou brincando. O que eu preciso fazer pra te convencer a desistir?
– Nada. Eu não vou desistir, não importa o que você diga ou faça. Você fez sua escolha e eu fiz a minha
– Acontece que ninguém me pediu pra escolher. Nós tivemos uma briga boba como sempre e você correu para os braços dele...
– DEPOIS QUE VOCÊ CORREU PARA OS BRAÇOS DA SUA QUERIDA LILÁ – disse virando para encará-lo
– MAS QUE DROGA, EU SÓ QUERIA TE PROVOCAR – Ron foi até Hermione e a segurou pelos ombros a levantado para que ficasse de frente para ele – Mione, eu... eu te amo... eu te amo mais do que qualquer um pode te amar... mais do que pensei que poderia. Por favor, não faz isso. Eu digo quantas vezes precisar, eu te amo, te amo, te amo, te amo... eu preciso de você mais do qualquer coisa nessa vida – lágrimas caíram de seus olhos
Mesmo que segurasse ao máximo, Hermione também não resistiu e deixou as lágrimas vencerem

I'll wish I was him with those words of mine
Desejarei ser ele com essas palavras que são minhas
To say to you till the end of time
Para te dizer até o fim dos tempos
And I will love you baby always
E eu te amarei querida, sempre
And I'll be there forever and a day always
E eu estarei lá para sempre e um dia, sempre

– Não, eu não posso. Me desculpe, mas... Eu não vou voltar atrás.
– Por quê?
– Porque eu deixei de acreditar em conto de fadas há muito tempo. Não existe esse negócio de felizes para sempre, e no final o príncipe com um cavalo branco não aprece para salvar a princesa
– Hermione, filha a limusine já chegou, está na hora – era o Sr. Granger do andar de baixo
Hermione saiu apressada do quarto.
Gina ficou olhando para o irmão esperando pela próxima reação
– Que negócio é esse de príncipe de cavalo branco?
Gina foi até uma escrivaninha, abriu a primeira gaveta e pegou um pequeno livro que tinha o nome de “Branca de Neve” e entregou a Ron.
– Contos de fadas são histórias que os trouxas contam para as criança e sempre terminam em felizes para sempre
Gina também desceu encontrar a amiga, como já estavam atrasados ela e Harry teriam que aparatar em um local deserto para chegarem a tempo e sem serem vistos aparecendo do nada.

If you told me to cry for you I could
Se você me dissesse para chorar por você, eu poderia
If you told me to die for you I would
Se você me dissesse para morrer por você, eu morreria
Take a look at my face
Olhe para meu rosto
There's no price I won't pay
Não há preço que eu não pagarei
To say these words to you
Para dizer estas palavra á você

Quando chegou ao andar debaixo ainda havia pessoas da equipe que a maquiaram
– Eu sabia que não devia ir embora – falou uma das mulheres arrumando a maquiagem borrada por causa do choro – isso sempre acontece. É a emoção querida, não se preocupe vai dar tudo certo
Hermione forçou um sorriso.
Saíram pouco mais de dez minutos depois, não viu Ron sair então imaginou que ele devia ter aparatado na Toca e isso á deixou um pouco decepcionada apesar de não querer admitir para si mesma.

Well there aren’t no luck and he slowly dies
Bem, não existe nenhuma sorte neste jogo de dados
But baby if you give me just one more try
Mas querida se você me der apenas mais uma chance
We can pack up our old dreams and our old lives
Nós podemos refazer nossos antigos sonhos e nossas vidas
We'll find a place where the sun still shines
Encontraremos um lugar onde o sol ainda brilha

Ron corria pelas ruas de Londres, tinha uma idéia fixa na cabeça e agora não desistiria até usar todos os seus recursos, mas existem momentos que quanto mais se precisa de algo mais difícil parece ser, seja de realizar ou para encontrar, e essa situação era a segunda. Nas poucas vezes que andara pela Londres trouxa via aquilo aos montes, mas justo naquele dia tinham evaporado, se ao menos Harry não precisasse estar naquele maldito casamento o ajudaria, mas o universo conspirava contra ele e contra o amor que estava custando tanto para reconquistar.
– Finalmente

And I will love you baby always
E eu te amarei querida, sempre
And I'll be there forever and a day always
E eu estarei lá para sempre e um dia, sempre
I'll be there till the stars don't shine
Eu estarei lá até as estrelas deixarem de brilhar
Till the heavens burst and the words don't rhyme
Até os céus explodirem e as palavras não rimarem

Hermione desceu da limusine olhando por toda a rua e até mesmo na porta da igreja na inútil esperança de encontrá-lo
“Não seja tonta. Acabou. Ele não virá” repetia mentalmente enquanto subia as escadarias tentando se concentrar no seu casamento, no seu noivo.
Quase que inconscientemente olhou para trás novamente e dessa teve uma grande surpresa ao ver Ronald Weasley, um ser tão insensível, montado em um cavalo branco, aliás, ela nem sabia que ele montava.
Ron parou em frente à Hermione e o Sr. Granger que estava tão surpreso quanto a filha.
– Eu estou aqui. E agora você acredita em finais felizes? Princesa
Hermione não sabia se ria ou se chorava. Aquela era a maior loucura que alguém já fizera por ela, e jamais esperaria tal atitude de Ron.
Em segundos todos os convidados estavam do lado de fora da igreja assistindo a cena, a Sra. Weasley não parava de chorar emocionada, Harry e Gina sorriam animados e Vítor estava tão embasbacado que abria a boca tentando falar, mas nada saia.
– Ron... Oh meu Deus... Onde você conseguiu esse cavalo?
– Em uma charrete, disse ao dono que precisava salvar uma princesa em apuros, ele parecia bem... hummm, sensível, e me emprestou. Então? Essa é nossa última chance
Hermione olhou para Krum sentido-se culpada, não conseguiu pedir desculpas, mas de qualquer forma sabia que não o faria feliz se não o amava. Eles se encararam com olhares de despedidas.
Ron esticou a mão para Hermione, ela a aceitou como ajuda para subir no cavalo
– Quer ir pra onde? – Ron perguntou
– Pra onde você quiser me levar
– Que tal a caminho de um: “Felizes para Sempre”?
E, como não pode faltar, antes de partirem deram um beijo apaixonante mais real do que qualquer conto de fadas.

And I know when I die you'll be on my mind
E sei que quando eu morrer você estará em minha mente
And I'll love you always
E eu te amarei, sempre

Always

by on 20:57
Já passava das oito da manhã quando Rony chegou á Toca, passara a noite inteira bebendo como nunca. Subiu as escadas e foi direto para o...